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Painel ajudará tratamento de leucemias

Imagine a montagem de um painel que identifique marcadores biológicos para respostas a quimiterápicos em pacientes com diferentes tipos de leucemia. É este o projeto em andamento no Laboratório de Hematologia Celular e Molecular, do Serviço de Hematologia, do Instituto Nacional do Câncer. O Inca é o único centro no Brasil a analisar de forma rotineira amostras clínicas de pacientes com leucemia.

Coordenado pela médica hematologista Raquel Ciuvalschi Maia, o projeto implantado em 1997 já reúne amostras de 1.020 pacientes com quatro tipos de leucemias: linfóide aguda e linfóide crônica; mieolóide aguda e mielóide crônica.

Os trabalhos do grupo de Ciuvalschi, que atua na fronteira entre as pesquisas básica e clínica, se somam à discussão mundial sobre os efeitos da quimioterapia em pacientes com resistência a múltiplas drogas (MDR). O fenômeno MDR é um conhecido problema da comunidade científica e ocorre em pacientes com câncer que não respondem aos tratamentos convencionais. Ao identificar os pacientes que não se beneficiarão da quimioterapia, os pesquisadores e alguns médicos acreditam que poderiam poupá-los dos efeitos tóxicos desses agentes.

A investigação do grupo do Inca procura, entre outros aspectos, três tipos de proteínas (Pgp, MRP e BCRP) que são responsáveis pelo fenômeno MDR; proteínas inibidoras da apoptose (a morte celular), mais conhecidas como IAPs e que, portanto, acabam contribuindo para a proliferação de células tumorais; as mutações na p53 que interferem em sua funcionalidade em verificar células defeituosas e disparar o mecanismo de apoptose ; e a enzima GST, que exerce um papel importante na inativação dos quimioterápicos.

Numa colaboração com o grupo do pesquisador Rafael Linden, diretor do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ, a doutoranda Karina Lanni já estudou a expressão das IAPs nas células de 30 pacientes do Inca com leucemia linfóide crônica e não encontrou correlação entre as IAPs e um mal prognóstico. Agora, debruça-se sobre a possível correlação entre as IAPs e a leucemia mielóide crônica.
Os pesquisadores do Inca procuram correlacionar esses marcadores biológicos com os prontuários dos pacientes e assim traçar um perfil de resposta a quimioterápicos. Segundo Raquel, cerca de 50% dos pacientes com algum tipo de leucemia têm ou adquirem ao longo do tratamento resistência a múltiplas drogas. A partir desses estudos, será possível caracterizar, de forma mais eficiente, o prognóstico. Com os resultados da pesquisa, os médicos terão também ao seu alcance mais uma ferramenta a auxiliá-los sobre alternativas de respostas a tratamentos.

Raquel ressalta que para ter um panorama fidedigno é necessário ampliar o número de amostras. Neste sentido, acaba de fechar uma parceria com o HemoRio de onde receberá amostras de sangue de pacientes com doenças hematológicas. Com isso, espera ter dados suficientes sobre a correlação entre marcadores biológicos e prognóstico nas quatro diferentes leucemias.

Como alternativa para os pacientes que não respondem aos tratamentos tradicionais, o grupo de Raquel ainda estuda em colaboração com as equipes das pesquisadoras Cerli Rocha Gattass, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, e Vivian Rumjanek, do Instituto de Bioquímica Médica, a atividade anti-tumoral e anti-MDR de compostos extraídos da fauna brasileira como o ácido pomólico retirado do abajeru. Resultado desta parceria comprovou o efeito extremamente tóxico do ácido pomólico em células de leucemia mielóide crônica e em células MDR.

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