Portal do Programa de Oncobiologia

Programa interinstitucional de ensino, pesquisa e extensão em biologia do câncer

pesquisa sobre antifúngico contra o câncer ganha prêmio internacional

por Priscila Biancovilli

 

A doutoranda Mariah Celestino Marcondes, do laboratório de Oncobiologia Molecular da Faculdade de Farmácia da UFRJ, conquistou no último mês de junho um prêmio internacional, o IUBMB-Wiley best research communication award for the year 2010-11, concedido anualmente a doutorandos ou recém-doutores de todo o mundo. O trabalho de Mariah – orientado pela professora Patricia Zancan, do Programa de Oncobiologia - propõe que um remédio já utilizado atualmente como antifúngico (o clotrimazol) passe a ser empregado também em terapias antitumorais.

 

A equipe descobriu que o antifúngico inibe uma enzima-chave do metabolismo dos carboidratos (a fosfofrutocinase). Ela é essencial para o tipo de produção de energia mais acelerado, encontrado tipicamente em tumores, que abastece a alta proliferação e importante na migração destas células. “As células cancerosas têm uma capacidade aumentada de quebra da glicose, mesmo na presença de oxigênio, que não é observada em células sadias”, esclarece Mariah.

 

O trabalho premiado foi desenvolvido durante o mestrado de Mariah, que se aprofundou em como ocorre a inibição da enzima. “A fosfofrutocinase transita entre diferentes conformações que apresentam diferentes atividades. Através da análise da sua estrutura, vimos que o antifúngico induziu o seu agrupamento de par em par (formando dímeros), que apresentam atividade muito baixa. Já as outras formas, de quatro moléculas ou mais, têm alta atividade”, explica.

 

No entanto, essa enzima já sofre regulações naturais no organismo e uma delas é pela proteína chamada aldolase. Foi observado que ela pode reativar os tais dímeros, protegendo então a enzima dos efeitos do antifúngico. Porém, o clotrimazol também inibe a aldolase quando ainda não está ligada (ou seja, inibe ambas isoladamente). Agora, a equipe pretende avaliar, com ensaios de PCR em tempo real, se o fármaco interfere na expressão genética de algumas enzimas fundamentais nesse metabolismo de quebra da glicose.

 

Nanotecnologia

 

O alvo do Laboratório de Oncobiologia Molecular é sempre a busca de novos fármacos antineoplásicos que ajam sobre o metabolismo de quebra da glicose. Agora, os pesquisadores trabalham com células de câncer de mama humano e têm observado o efeito do clotrimazol em linhagens celulares.

 

“Começamos a fazer uso da nanotecnologia, incorporando o clotrimazol dentro de nanopartículas. Existem várias vantagens para o tratamento do câncer neste processo: as nanopartículas permitem a liberação sustentável do fármaco ao longo do tempo, evitando picos de concentração do medicamento, e com isso diminuindo os efeitos colaterais. Além disso, facilitam o regime posológico, por diminuir o número de doses”, afirma Mariah.

 

“Analisando as nanopartículas, vimos que o antifúngico também altera diversos parâmetros no metabolismo das mitocôndrias”, explica. “Nosso próximo passo é observar como ele induz a morte dessas células – se é por apoptose ou necrose”.

 

O artigo premiado chama-se Muscle-Type 6-Phosphofructo 1-Kinase and Aldolase Associeate Conferring Catalytic Advantages for Both Enzymes, de autoria de Mariah Marcondes, Renan Gianoti, Mauro Sola-Penna e Patricia Zancan publicado pela Revista IUBMB Life. Mariah apresentará seu trabalho na Cell Signating Networks Conference, a ser realizada no México em outubro de 2011.

 

design manuela roitman | programação e implementação corbata